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terça-feira, 18 de setembro de 2012

Eu me auto mutilo (muito ajuda quem não me julga)


                                          Meu relato de automutilação começa na infância,nasci em uma família desunida,onde havia muitas brigas,gritos e sofria maus tratos e abandono(como usar roupas sujas,me alimentar mal,não ter brinquedos,ficar doente e não receber tratamento médico e até mesmo vacinas importantes,ir a escola sem material escolar e com sapatos furados despertando risos dos colegas de classe,quando meu pai tinha dinheiro para comprar e não o fazia) recordo que na ´setima série ,já com 13anos,fui eleita a miss maltrapilho,por embora ser uma menina bonitinha sempre havia algum furinho nas minhas roupas já gastas e púidas .Minha mãe parecia um vegetal,via as coisas e se omitia e logo fui adquirindo uma tristeza profunda ainda na infância e nínguem pareceu se importar ou perceber e acabei que começando a me automutilarhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Automutila%C3%A7%C3%A3o mesmo sem haver conciência do ato que estava cometendo,percebo hoje que a maioria das pessoas tem quem se corta,queima etc... como alguem que quer chamar atenção para si o que é errado,pois tal ato é vergonhoso para quem os comete e inclusive os ferimentos e cicatrizes são escondidos e quando descobertos começa uma verdadeira maratona de desculpas mentirosas para justificar as marcas,e no meu caso até hoje,ninguém da minha família ainda sequer perguntou o que são  minhas marcas nos pulsos,tornozelos e tenho até uma no pescoço(a do pescoço foi uma tentativa de suicidio sem sucesso mesmo,o pescoço é um local muito visível para se cortar sem chamar atenção).

                                      Graças á Deus(no meu caso)o SUS não é de entrar em contato com a família quando dá entrada na sutura dos hospitais  públicos por motivos psiquiátricos,quando eu começei a me cortar mais profundamente na intenção de encontar uma veia para abrir e fazer sangrar precisava ir ao hospital para fazer sutura,(pois o corte além de ficar largo caso não fizesse os pontos),qualquer movimento brusco  o ferimento jorrava sangue e daí já é uma missão quase impossível esconder a ferida,mesmo com um torniquete debaixo da roupa não é suficiente para mascarar o ferimento porque o cheiro do sangue se torna forte quando o fluxo de sangue na veia se abre para o exterior da ferida,isso só nos primeiros dias,depois ocorre a cicatrização,aqui me refiro ao pulso,(é galera,cortar os pulsos não mata mesmo cortando a veia cava ,a não ser que a rompa por completo,porém se socorrido a tempo,corre-se o risco de sobreviver e perder os movimentos dos dedos se atingir os ligamentos ou algo pior,como perder o braço por exemplo devido a uma necrose nos tecidos..)Infelizmente,sou viciada em me cortar e isso faz com que vc vá cada vez mais longe,hoje já não me satisfaço com um simples corte na pele,surge a necessidade de ver o sangue em abundância brotar das veias,faço isso em segredo e só procuro um hospital(público,pois uma vez no hospital particular quiseram me internar a força e ligar para a minha casa para comunicar a família e só me liberaram após eu ameaçar o hospital com a lei de que nínguem pode ser internado a força"Todo o indivíduo tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal."
 "Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;"
Diz o magnífico Artigo 5º, inciso II.
Logo, ninguém pode ser obrigado a ser internado involuntariamente, a não ser se tiver cometido algum crime. Evidentemente, se justifica internar a força um usuário de crack que roubou para sustentar o vício.
forca.htmlhttp://pacientepsiquiatrico.blogspot.com.br/2012/02/o-direito-de-nao-ser-internado-forca.html)
Por esse motivo,nesses casos só procuro hospitais públicos,que por outro lado o atendimento psiquiátrico é mais carente e complicado e sempre saio de lá só com meu braço costurado mesmo.

                                      A sensação que sinto ao cortar a minha veia está bem descrita na bíblia em 3 de Jô (verso 21 ao 22)"Que esperam a morte e ela não vem e cavam em procura dela mais do que de tesouros ocultos e que de alegria saltam e exultam achando a sepultura"

                                       Quando corto minha veia,cavo ela e vendo ali a possibilidade da morte me alegro.
                                       Sei que automutilação é uma doença,mas sem apoio da família fica díficil o tratamento,se conhecer alguém que passe por isso,prepare-se para ajuda-la da maneira certa,procure conhecer a doença e deixe os preconceitos de lado!

Um comentário:

  1. Impressionante o seu relato.
    Espero que o blog te ajude a desabafar e encontrar pessoas que possam te auxiliar de alguma maneira.
    Mas mais do que isso,você precisa tentar se ajudar.
    Eu sei, é difícil. No meu blog mesmo, digo que me boicoto demais...sempre que percebo que algo pode sair da minha zona de conforto.
    Mas não vamos desistir, ok?

    Força aí!
    Se precisar, pode contar comigo.
    Hoje não sei se sou consigo ser uma boa amiga(devido meus "amigos" terem me abandonado) mas sou uma boa ouvinte.

    Se cuida.
    Bjox.

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